Durante passagem no Recife, Luciana Genro (PSOL) pautou o problema da falta de política habitacional no país


A candidata a presidente Luciana Genro (PSOL) esteve nesta quarta-feira (24) no Recife, onde, a partir do exemplo do exemplo do movimento Ocupe Estelita, defendeu uma política habitacional em caráter nacional com coragem para se contrapor aos interesses da especulação imobiliária. 

Em sua primeira visita a Pernambuco nesta campanha, Luciana debateu ainda as pautas feministas e participou de caminhada na Boa Vista com os candidatos do PSOL ao governo de Pernambuco, Zé Gomes, e ao Senado, Albanise Pires. À noite foi sabatinada na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

“Recife pautou, através do movimento Ocupe Estelita, o problema da falta de política habitacional no país e o problema da especulação imobiliária. As áreas centrais vêm sendo destinadas à moradia dos ricos e a população de baixa renda é, cada vez mais, expulsa para as áreas periféricas, onde não há serviço público de qualidade e transporte. Precisamos ter cidades para todos, que incluam a maioria dos moradores no espaço público. Queremos fazer na Presidência da República uma política habitacional que seja inclusiva e democrática”, afirmou durante a caminhada.

A caminhada na Rua da Imperatriz reuniu militantes e candidatos a deputado estadual e federal pelo PSOL. No almoço com feministas, no comitê do PSOL/PE, Luciana Genro apontou poucos avanços na Lei Maria da Penha no que se refere ao acolhimento às mulheres.

“Não há estrutura de acolhimento para as mulheres que sofrem de violência doméstica. Tem a medida protetiva de afastar o agressor do lar, tem a prisão, mas isso não resolve o problema. O que resolveria de fato é que o Estado oferecesse a essa mulher condições para ela sair desse ciclo de violência. Nesse aspecto, a lei não foi cumprida. A Dilma, uma mulher, não avançou um milímetro para garantir às mulheres uma vida sem violência”, criticou.

Durante uma de suas intervenções, Albanise elogiou o PSOL em sua tentativa de oferecer igualdade entre homens e mulheres nos processos eleitorais. 

“A formação da mulher nos processos políticos é bem trabalhada na esquerda. O PSOL, especialmente, tem conseguido externar essa política como prática. Nosso partido vive a terceira candidatura à Presidência da República, sendo que em duas delas fomos representadas por mulheres. Heloísa Helena, em 2006, e agora Luciana Genro. Aqui em Pernambuco nós temos também nas chapas de governador, vice e senador representação feminina de 2/3. Isso significa que estamos conseguindo implementar, de fato, a priorização da participação da mulher na política. Precisamos aproveitar bem o processo eleitoral para divulgar essas lutas, como o combate à violência doméstica, à violência nos espaços urbanos, à violência obstétrica e a defesa do parto humanizado”, disse Albanise.

O aborto também foi debatido no encontro. Segundo Luciana, a discussão em torno de sua descriminalização ainda é estereotipada e, por essa razão, não se avança. 

“Há uma ideia de que quem defende a legalização do aborto está defendendo o aborto como um método contraceptivo ou que é uma ótima solução para evitar filhos. Quando nós sabemos que não é assim. O aborto é um drama para qualquer mulher. Ninguém é a favor do aborto, somos a favor das mulheres. Tivemos duas mulheres que morreram vítimas da clandestinidade, a Jandira e a Elisângela. Não dá para continuar achando que o aborto não existe. Ele existe e mais de 800 mil brasileiras se submetem a ele por ano”, declarou.

Ao final do evento, Daiane Dultra, da Action Aid, entregou aos integrantes da mesa uma pesquisa sobre violência contra a mulher e um documento com sugestões para se conquistar cidades mais seguras para as mulheres.