"Estelionato em curso na eleição para o Senado?" questiona Albanise Pires (PSOL)

Artigo: Estelionato em curso na eleição para o Senado?

Por Albanise Pires*

Os eleitores pernambucanos estão vivendo uma situação inusitada nesta eleição para o Senado. Os candidatos das duas maiores coligações, Fernando Bezerra Coelho (PSB) e João Paulo (PT), que detêm mais tempo de TV e Rádio e mais recursos para inundar as ruas com suas campanhas, estão divulgando ações e promessas que não são essencialmente atribuições de um senador. 

Enquanto o primeiro se apresenta não raro usando um capacete e em meio a obras, o segundo apresenta como mote de campanha os supostos feitos de sua gestão como prefeito do Recife. Não entram no debate desses candidatos os grandes temas do Senado, que estão pautados pela sociedade, como a reforma política, tributária, questões dos direitos humanos e outros que exigem atualização normativa ou mesmo nova legislação.

O mais grave nisto tudo, porém, é o que se desenha na campanha de João Paulo. Além de “se esquecer” de que é um parlamentar, escondendo dos eleitores seu inexpressivo mandato de deputado federal, o candidato do PT atua com o indisfarçável objetivo de fazer da campanha para o Senado um trampolim para uma futura campanha à Prefeitura do Recife em 2016.

Essa situação pode constituir-se como um estelionato eleitoral em curso, pois em se elegendo e disputando a Prefeitura do Recife, João Paulo poderá deixar para o povo pernambucano um de seus suplentes como senador, por nada menos do que seis anos. E alguém sabe quem são os suplentes de João Paulo?

Foi para evitar manobras como esta que o povo foi às ruas em junho de 2013, exigindo uma reforma política capaz de garantir mais transparência e coerências aos representantes da vontade popular.

Nossa candidatura está atenta a estas e outras questões e se dispõe a enfrentar tais manobras e contribuir para prevenir e corrigir vícios que podem se mostrar insanáveis no futuro. Por isso, trazemos aos eleitores e à sociedade pernambucana uma sugestão, que pode ser encarada como um desafio ao candidato João Paulo: que ele assine um documento público se comprometendo que, em vencendo esta eleição para o Senado, exercerá seu mandato na íntegra, não o abandonando no meio do caminho e assim afastando a hipótese do estelionato que aparenta estar em curso.

Transparência nas ações dos candidatos é o mínimo que se exige num processo eleitoral. Se João Paulo quer ser senador pelo Estado de Pernambuco, que realize este simples gesto. A boa política agradece.

*Servidora Pública e candidata ao Senado pelo PSOL em Pernambuco