#Opinião: Por que Pesqueira perdeu a guerra da comunicação?



Desde o final do ano passado que o noticiário em geral vem salientando uma série de acontecimentos reais e imaginários sobre Pesqueira. Nessa guerra de comunicação, o município tem sido fragorosamente derrotado. Não se impôs e deixou transparecer fraqueza e desorganização.

Convivo com Pesqueira há mais de 50 anos, desde que assisti ao meu primeiro filme colorido no antigo Cinema Moderno, numa terça feira qualquer dos anos 60.Conclui meu curso ginasial no Colégio Comercial e, mais tarde, meus 4 filhos passaram pelas bancas do Santa Dorotéia.

Digo tudo isso como preâmbulo, para que meu modesto texto não seja prejulgado como se eu fora um forasteiro. Lembro sempre que quando o atual prefeito se referia a alguma crítica do então vereador Augusto Simões, hoje de saudosa memória, já iniciava dizendo: “primeiro, ele não é daqui...”. Essa tentativa de desconstrução sempre me soou falsa.

A semana passada os dois principais jornais de Pernambuco estamparam na sua manchete, notícias que corroboram, seguramente, com a minhas assertivas. Blogs de diversos lugares fizeram o mesmo, sempre com o mesmo estardalhaço. Um festival de bobagens se apossou de muitos que, atônitos, deixaram-se intimidar com essa parafernália de contrainformação. Os disparates foram tantos que uma pessoa ligado ao sistema de rádio fez um desabafo descabido, dizendo: “...se eu tivesse dinheiro, ia embora de Pesqueira amanhã mesmo. Eu e toda a minha família...”. Carece alguém falar sobre essa pobreza de espírito? Houve uma sucessão de brincadeiras de mau gosto, espalhada da rede social, sempre denegrindo a imagem da antiga terra das chaminés. Fotos de pessoas usando máscaras antigases, se reportavam de forma deprimente que estariam “prontas” para o carnaval de Pesqueira. Os péssimos exemplos se sucediam e isso somente corroborou para que a pecha de cidade-perigosa se fincasse. Poucos alimentavam a trajetória do otimismo e a convicção de algo de sério estaria sendo feito pra mudar o rumo do noticiário.

Qual a diferença do que aconteceu ou acontece com Pesqueira, comparada com outros municípios aqui mesmo do nosso agreste? Número de pessoas infectadas pelo aedes aegypti ou de suas mutações? Alguém procurou saber o que ocorre em Belo Jardim, Santa Cruz do Capibaribe, Arcoverde, Sanharó, Poção, Pedra, Alagoinhas e outras cidade? Não. A maioria aceitou que o pior dos mundos se apossara somente de Pesqueira.

Tivesse o Dr. Evandro Chacon, que além de prefeito é médico, tomado de fato o leme do barco chamado problema; convocado todo seu staff para se engajar na luta; assumindo que ele, como chefe do executivo, falaria com imprensa de forma clara e objetiva, certamente que muito ou quase tudo desse noticiário negativo teria sido abortado. No entanto, preferiu sua excelência, cuidar de outros afazeres, certamente, menos nobre, contribuindo pela omissão, para que as coisas se tornassem alarmantes, mesmo que não as fossem.

Quem abrir a página da Diocese de Pesqueira, não verá uma única palavra sobre os acontecimentos aqui retratados e muito menos uma palavra de conforto aos desesperados ou em pânico com as notícias aleatórias.

Essa omissão também pode ser debitada a boa parcela da sociedade que se diz participativa. Há os que se arvoram de “pesqueiristas” que assistiram calados a sua cidade ser vilipendiada numa torrente de maldades retratadas em cenas corriqueiras como a de uma moça deitada, tranquilamente, em cadeiras na sala de espera do HLP. Alguém já viu os corredores do HRA ou do Otávio de Freitas? Dizia Dr King; “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

O caso da jovem Danyelle de apenas 17 anos que sensibilizou e entristeceu a todos, não está de fato esclarecido. Não deram ênfase às tratativas da médica Lúcia Brito que chefe do Neurologia do HR, pessoa comprovadamente séria e conhecedora do assunto. Por sinal, contemporânea de universidade do grande pesqueirenses José Carlos Freire Cordeiro, médico-cardiologista. O assunto que trata da Síndrome de Guilliain Barré permeia a literatura médica há muitos anos e poucos, de fato, a conhecem.

Finalizo esse texto dizendo o seguinte: enquanto uns poucos falam em abandonar a cidade (se tiver dinheiro), outros que de fato o têm, pensam contrariamente. Pretendem investir e investir pesado. Conheço quem vai fazer isso, sem segredos e sem firulas e sem medo. Vem aí um prédio de lojas e apart-hotel. Aguardem!

É notório o desgaste político da atual gestão municipal, agora agravado pelos sucessivos erros impiedosos na comunicação. A distância entre o prefeito e a sociedade é uma fenda enorme. Abissal!
Os vereadores, graças ao recesso parlamentar, não precisaram nem se omitir. Foram até esquecidos no transcorrer desse infame episódio.

Na esteira do problema, além “espetacularização” surgiu também a “carnavalização”. Alguns pensam e falam que a cidade não deve promover seu famoso carnaval. A troco de quê? Como ficam as pessoas que alugaram casas? Reservas de hotéis? Em que ajudaria, de fato, a suspensão dos festejos carnavalescos? A meu ver, em nada. Aí sim, o que seria uma simples desconfiança, pareceria a fato consumado.

E concluo afirmando: em ano de eleição, corre risco tudo em que se envolve políticos. O JC desse domingo trouxe uma matéria sobre o desempenho dos deputados estaduais com assento na ALEPE. No tocante ao deputado João Eudes, legítimo representa de Pesqueira, diz que ele não apresentou nenhum projeto no exercício de 2015. Hoje, o deputado, através de sua assessoria, tentou se justificar e gastou tantas palavras que dariam, certamente, pra ter feito até mais de um projeto. Coisas da política!