Condução coercitiva é discutida na Câmara de Vereadores do Recife

Um requerimento da vereadora Marília Arraes (PT) sobre a transcrição nos anais da Câmara de um artigo publicado no Diario de Pernambuco, provocou grande debate a respeito da política nacional, na reunião plenária desta terça-feira, 15. O texto “Condução coercitiva e a lei brasileira”, de autoria do advogado criminal Ademar Rigueira Neto, circulou na edição do último dia 06, e traz críticas à forma como ocorreu o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta 24ª fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal (PF).

Embora admitindo que achou correto os atos da PF, o vereador André Régis (PSDB) disse que votaria a favor da transcrição do artigo nos anais da Casa. Antes, porém, discorreu sobre a política econômica nacional e as suas consequências para o agravamento da crise, que “prejudica não só o crescimento econômico, como os salários dos servidores públicos de todo o país”. Ele também aproveitou a ocasião para afirmar que faria diferente da bancada do PT, quando no ano passado votou contra um requerimento de sua autoria que solicitava a transcrição de um artigo contrário ao governo federal.

Mas o vereador Jurandir Liberal (PT) explicou que no episódio anterior, a bancada petista se posicionou contra o requerimento, por se tratar de um pedido de votos de aplauso e não a transcrição do texto. O parlamentar também aproveitou a ocasião para criticar o governo do PSDB e alguns políticos. “Querem tirar a presidente Dilma para encerrar a Lava a Jato e não permitir que a Operação chegue a figuras do partido”.

A opinião foi compartilhada por Henrique Leite (PT) que pontuou que “nos 30 anos de política e de polícia civil, nunca tinha visto alguém ser conduzido de forma coercitiva quando se dispõe a depor”, afirmou, se referindo a forma coercitiva para o depoimento do ex-presidente Lula. Já o seu companheiro de bancada, o vereador Osmar Ricardo (PT), fez questão de relatar casos de corrupção envolvendo políticos de outros estados do Brasil que, segundo ele, não tiveram a devida apuração. “Só querem investigar o PT que criou melhores bases sociais, cuidou da educação e diminuiu a desigualdade”.

Contrário ao conteúdo do artigo, o vereador Wanderson Florêncio (PSDB) ressaltou que votaria favorável a transcrição do texto nos anais da Casa, mas fez questão de dizer que contesta “com veemência a defesa de um governo corrupto”. Para ele o Partido dos Trabalhadores precisa “se recriar, se refundar”.

A autora do requerimento Marília Arraes explicou o artigo de Ademar Rigueira Neto e criticou o que chamou de “prática da indignação seletiva, que é quando a mídia leva as pessoas a se indignarem com atos de alguns e não com os mesmos atos, praticados por outros”. Defendeu “o posicionamento lúcido do advogado e a forma isenta com que ele defende as suas ideias”. Enalteceu a população que se mostrou contrária a políticos, que foram citados na Lava Jato, mas que compareceram às manifestações do último domingo.

Com informações da Ascom/CMR