"Chile é a prova da virada à direita da América Latina?" por John Silva

John, "a direita ganhou no Chile, segue o desmanche dos governos socialistas no hemisfério", me confidenciou um liberal comemorando a vitória de Sebastián Piñera no Chile no último Domingo, dia 17. Ele venceu o candidato de centro-esquerda, o jornalista Alejandro Guillier. Com 99,90% das urnas apuradas, Piñera conseguiu ampla vantagem sobre o rival, teve 54,57% dos votos contra 45,43% de Guillier.

O que acho? É uma onda política, é momentâneo. Na década de 1990 as velhas direitas latinoamericanas governaram a America do Sul. Entender esse processo, é entender os múltiplos fatores que o condicionam, a geopolítica, a política externa norteamericana, a crise econômica de 2008, e a mais importante, o maior deles em breve análise, é o esgotamento político das esquerdas na América Latina, eles os movimentos sociais e partidos deixaram de se reinventar, dialogar amplamente com todos, especialmente com os cristãos, veja o fenômeno de crescimento dos evangélicos na América do sul. Bem, quem é de centro-esquerda neste país sabe do que falo, a tão necessária autocrítica, a viabilização de uma nova esquerda, para longe dessa atual, já que parafraseando Vinicius Lemmertz "A velha esquerda e a velha direita latina fazem uma coisa: se reproduzem uma a outra".

E, estamos falando das esquerdas no Chile que são infinitamente mais organizadas que as do Brasil, inclusive no rigor para com o aspecto ético, moral. Muito poucos sabem o que ocorreu com o Sebastián Dávalos, filho da atual presidente do Chile, Michelle Bachelet, que envolvesse em escândalo, sendo acusado de tráfico de informações em 2015, a consequência das ações dele demonstram o rechaço à falta de ética para com a política pública pela esquerda chilena, nem de longe, se compara, ao costume da complacência que a esquerda brasileira tem em muitos casos onde dirigentes, políticos e filiados se envolveram em corrupção, ou foram condenados, vejam Dirceu, Vaccari, Palocci e outros, quê o PT fez? Nada! Até hoje a cúpula do partido nunca pediu desculpas ao povo brasileiro, nem desfiliou os citados.

Além do mais a política econômica chilena, a política educacional são distintas do que ocorre no Brasil, o Chile nos últimos anos com os governos de Bachelet ascendeu nas estatísticas de qualidade de vida, IDH, e nos índices de desenvolvimento educacional, econômico e até no combate a corrupção. Lá a direita se oxigenou com a participação de movimentos jovens, um deles citados na matéria. Bem, vamos fazer contraponto no Brasil, nossos quadros de centro-direita quem são? O que mudou na organização deste campo?

Conservadores, e bolsominions "cabeça chata", não entendem, só voltando para escola para tratar o ódio e o despeito para com qualquer coisa que soe "comunismo", "esquerda". É exatamente esse o erro de sintaxe político que esses cometem, bem como liberais, conservadores inserem as esquerdas na America Latina em um mesmo pacote, seguem uma lógica "generalista", não enxergam que palavras tão comuns em sua boca na atualidade, como: Chile, Venezuela e Brasil são também análogas, plurais e diferentes, cada experiência política-social nestes países emergem, se estruturam através de culturas e engrenagens peculiares. E, esse caminho de "demonizar o outro", os que citei há pouco fazem tão brilhantemente, não é nada equilibrado. O mundo nem sempre é preto no branco.

John, "o julgamento é politizado", é parte de uma "estratégia das elites para por fim a hegemonia do PT no país", podem alguns dizer, mas essa é conversa para outra oportunidade.

John Silva - Professor, historiador e pesquisador.