Escolas do Recife apresentam história dos bairros reescrita pelos estudantes

Você sabia que Sítio dos Pintos, Zona Norte do Recife, é uma unidade de conservação da natureza? Ou que San Martin, na Zona Oeste, era um pedaço de reserva de mata atlântica? Ou talvez, que o Bloco Cabeça de Touro, do Engenho do Meio, também na Zona Oeste da capital pernambucana, partiu da história de uma cabeceada de um jogador de futebol que furou a bola? Essas foram algumas das informações que os alunos da Rede Municipal de Ensino que integraram a segunda edição do projeto "Interagindo Com a História do Seu Bairro" reuniram para compor o livro artesanal de cada escola sobre o local onde vivem. A ação é uma parceria da Biblioteca Blanche Knopf, da Fundaj, com o Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores, da Prefeitura do Recife.

O evento de culminância das obras reuniu nesta quarta-feira (13), na sala Calouste Gulbenkian, mais de 200 crianças para comemorar com muita música, dança e homenagens o lançamento dos livros. Ao todo, 11 escolas de 10 bairros integraram o projeto, dando a oportunidade dos estudantes aprenderem sobre onde vivem sob uma nova perspectiva: a de escritores da própria história. Cada livro foi produzido, escrito e decorado nos mínimos detalhes pelos alunos, trazendo informações históricas e curiosidades dos bairros de cada escola narrada através do olhar dos pequenos.

“Aprendi de tudo. Fomos a rua da feira, conhecemos o Maracatu Gato Preto, o Bairro do Coqueiro, os bonecos de seu Malaquias", enumera a aluna da Escola Municipal Alto Santa Teresinha Cecília Oliveira dos Santos, de 10 anos. Todo conteúdo do livro foi feito a partir informações adquiridas da observação das turmas e de entrevistas com moradores. A importância de uma ação desse tipo, segundo a coordenadora da biblioteca Blanche Knopf, Nadja Tenório Pernambucano, é o envolvimento dos alunos com a comunidade como forma de praticar a cidadania. “A empolgação e o interesse com o bairro deles é o mais importante. Além do mais, o que tem nos livros já se sabe. A gente quer aprender coisas novas”, afirma.

O evento na sede da Fundaj foi também prestigiado com espetáculos de dança. Após um grande café da manhã, a escola Municipal Mundo Esperança homenageou personalidades pernambucanas com uma apresentação de Leão do Norte, seguida de uma apresentação de frevo e maracatu com tema afro da Escola Municipal Alto Santa Teresinha e, por fim, um número de funk pela Escola Municipal Cristina Tavares.

A professora de biblioteca Fabiana de Melo, da Escola Municipal Cristina Tavares, avalia a participação de seus estudantes como muito positiva. "Cada estudante envolvido nesse processo é um olhar diferente. A gente percebeu que não havia referência bibliográfica nenhuma sobre o Ibura, foi tudo pesquisa de campo. Buscamos nas raízes mesmo.” Além dos estudantes, as professoras também têm uma parte importante no projeto. A partir do que é encontrado no trabalho de campo, as educadoras tem a oportunidade de escrever artigos que incorporam o projeto Pesquisa Escolar, que disponibiliza na plataforma online da instituição textos sobre o Norte e Nordeste brasileiro.

“A nossa pesquisa ainda não acabou, ainda tem muito a se descobrir”, explica a representante da Escola Municipal General San Martin. Os sítios descobertos pelos alunos da escolas, bem como o depoimento de duas moradoras antigas do bairro que serviram de fonte para as escrituras das crianças, compõem um trecho da história do bairro que cresce a cada edição do projeto e disponibiliza novas informações sobre os bairros do Recife. "Quem quiser conhecer mais, é só ler os livros, por que tem muita coisa interessante lá", finaliza.

Fonte: Fundaj