"Terminou 2017, e aonde estão os que protestaram há dois anos?" por John Silva

A classe média não saiu mais as ruas, é o que podemos concluir neste último dia do ano de 2017, o fim deste ano é o prenúncio de que o interesse que antes norteava parte das elites politico-econômicas do país sucumbiu. Sendo assim, durante todo o ano não se teve publicidade, dinheiro e agentes responsáveis pelas mobilizações de multidões, de jovens "preocupados" com o futuro do país dos anos anteriores.

Nossas elites adoram fazer o uso da classe média alta, colocando-os como que seus soldados de vanguarda, como tantas vezes já ressaltou Jessé Souza: "a classe média é capataz da elite", o sociólogo só não nos dá, talvez, por medo, os nomes dos respectivos senhores da Casa Grande atual.

Em 2014, 2015 o mote que uniu a todos que estavam nas ruas era constituído pela onda de ódio antipetista, anti-Dilma e anti-Lula, que sob o discurso da suposta "perversão" do esquerdismo, comunismo e todo o blá- blá utilizado para justificar a batucada de panelas em prédios pelo país. E o último protesto em terras pernambucanas, o de 16 de Março de 2016 em Boa Viagem, na zona sul do Recife, que reuniu mais de mil pessoas.

Quem não lembra do terrorismo psicológico? que faziam uns sobre o futuro "comunizado" pelo PT, muitos o pregavam nos púlpitos de igrejas, nas rodas liberais e na grande imprensa denuncista. Quem não lembra que até a bandeira do Japão em Brasília, por ocasião do centenário das imigrações japonesas ao país era prova da "comunização do PT"! dizia uma jovem senhorita em um vídeo que viralizou.

Quem não lembra dos gritos eufóricos e emocionados de "Fora Dilma", "Fora PT"?. O petismo inventava a corrupção no país, segundo diziam as línguas "cidadãs". Mas, e a corrupção do PMDB, PSDB, PR, DEM, PP, não existem?

Agora, que se ajustaram por cima (Brasília), me refiro aos promotores de protestos, aos agentes de classe média, aos vanguardistas de nossas elites, aos que se deixaram usar pelas almas sebosas tão preocupadas em manter seus privilégios e seu "status quo" político-social, através de um "grande acordo", parafraseando Romero Jucá em torno do Michel Temer.

Em 2017 todos os que mobilizavam multidões anos atrás, o MBL, Vem Pra Rua, Movimento Contra a Corrupção, a FIESP, todos estão vacinados contra protestos, o pato dos impostos murchou, muitos dos nomes que protestavam na época, hoje "mamam nas tetas de vários governos", do paulista, ao federal...

E, nosso judiciário tão politizado, mas posicionado à direita, o que podemos dizer dos símbolos do combate a corrupção, Deltan Dallagnol e o símbolo maior, Juiz Sérgio Moro, este último um homem leal, e devo destacar honesto em cumprir integralmente com uma agenda de sua classe social originária, todos os dias de 2017, este se consolidou não como um correto "juiz", pois que imparcialidade e o rigor jurídico, bem como o exercício moderado das atribuições que lhes cabem, não existiram. Ele é o "pop star" de uma força tarefa, que se dobrou aos interesses norteamericanos, e vai destruindo aos poucos os símbolos de um país, que parecia ter dado certo, "digo parecida dar certo". O Moro está mais para um agente político, que fervorosamente quer dar as cartas sobre os rumos eleitorais em 2018, e nem preciso dizem como, nós brasileiros veremos.

John Silva - Professor, historiador e pesquisador.