Secretaria Nacional do Esporte ainda não tem o que mostrar para a comunidade esportiva brasileira

O futuro do esporte brasileiro foi discutido na tarde desta quarta-feira (08), na Câmara dos Deputados, em Brasília. Após um requerimento do deputado federal Felipe Carreras, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, e o secretário Especial do Esporte, Décio Brasil, tiveram a oportunidade de apresentar o planejamento e os resultados já obtidos pela pasta nos primeiros quatro meses de gestão. O que se viu foi que, com exceção da correção no número de beneficiados do Bolsa Atleta, que voltou ao patamar de 6,2 mil participantes no início de 2019, praticamente nada foi feito até o momento. Entre os principais desafios da equipe que está responsável pela gestão do esporte no País estão a falta de orçamento para executar os projetos, a reorganização administrativa da Lei de Incentivo, que possui mais de mil projetos represados, muitos deles que não passaram nem pela análise inicial, a montagem da equipe, com vários cargos de gerência ainda em aberto, o que dificulta o andamento da Secretaria, e um planejamento coerente com o que é possível ser realizado.

O ministro Osmar terra deixou claro que o orçamento é mesmo uma dificuldade, mas que pode ser superada. “Estamos conversando constantemente com o ministro Paulo Guedes e temos a esperança que vamos conseguir mais recursos. Isso sem contar com as emendas dos deputados, que sempre contribuem para o orçamento das pastas. Queremos e podemos fazer um projeto amplo para o esporte. Estamos muito confiantes”, afirmou.

O deputado Felipe Carreras fez questão de elogiar os convites aos atletas Emanuel Rego, campeão olímpico de vôlei de praia, Washington Cerqueira, ex-atacante, conhecido como Coração Valente, e Luiza Parente, ex-ginasta, que estão compondo a equipe da Secretaria. “Nós fazemos uma oposição equilibrada e elogiamos quando merece elogio. O convite para esses três atletas para a equipe de esportes é muito importante, pois eles conhecem o desporto por dentro e por fora, sabem a necessidade dos atletas e de toda a comunidade. Elogiamos também a ampliação do Bolsa Atleta, programa muito importante para o desenvolvimento do esporte”, afirmou o parlamentar pernambucano antes de fazer algumas críticas construtivas e questionamentos.

“O que vemos hoje na Secretaria é que não existe um orçamento claro, pois ninguém foi capaz de dizer o valor fechado nesta audiência. Não sabemos quais os programas serão mantidos ou os que serão finalizados, muitos deles de impacto social muito grande, como o Pelc. Estamos a menos de 500 dias dos Jogos de Tóquio e só fomos ter um secretário de Alto Rendimento ontem, com Emanuel. E a Lei de Incentivo está emperrada, mesmo tendo um teto de R$ 400 milhões para captação e nunca tendo passado de R$ 250 milhões por ano. Com mais de mil projetos parados, muitos dos eventos não poderão sequer ser realizados. Temos um Grand Slam de Judo para outubro, aqui em Brasília, reunindo a nata dos judocas mundiais, por exemplo, e o projeto continua parado. Não temos como fazer o esporte andar com tanta morosidade”, completou Carreras.

Para o general Décio Brasil, muitos dos problemas apontados podem ser resolvidos nos próximos dias. “A nomeação de toda a Secretaria já foi enviada para o órgão responsável e deve estar sendo publicada nos próximos dias. O orçamento nós vamos precisar correr atrás e a Lei de Incentivo, pois são muitos processos parados. Sinceramente, não temos nem como dar uma previsão de quando vamos resolver esta situação. Vamos trabalhar, mas não é algo que possa estipular um tempo. Além disso, precisamos descentralizar os projetos de incentivo, que ficam muito no Sudeste. Queremos incentivar mais projetos nas outras regiões do País”, respondeu o general.

Outros deputados, como o ex-nadador Luiz Lima, deram sugestões para o ministro Osmar Terra, como um investimento maior no esporte escolar e no esporte universitário. Felipe Carreras acompanhou o parlamentar e ainda sugeriu que se faça uma força-tarefa para tentar zerar os processos da Lei de Incentivo. “Tem muita coisa boa para ser realizada no País. Meu desejo é que a gente consiga chegar à captação dos R$ 400 milhões disponíveis e ainda precisarmos de mais. Precisamos urgentemente alavancar nosso desporto”, finalizou Carreras.