Comissão Justiça e Paz emite nota oficial sobre ações do Governo Federal

A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife (CJP), criada com o intuito de zelar pela preservação dos direitos humanos, emitiu no dia 30/07/19, nota oficial conclamando os cidadãos a cultivarem a esperança diante das ações do Governo Federal e seus impactos futuros e presentes. A CJP da Arquidiocese é integrante da Rede Brasileira Justiça e Paz e foi refundada em 25/05/2017, pelo arcebispo Dom Fernando Saburido, que retomou um projeto criado na década de 1960, por dom Helder Camara, na época de seu episcopado. O objetivo da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife (CJP) é promover os direitos humanos (direitos sociais, civis e políticos, assim como os direitos econômicos, culturais e ambientais), à luz da doutrina social da Igreja.

A CJP encontra-se sediada na Arquidiocese de Olinda e Recife e está vinculada à Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Ação Social Transformadora (Pastorais Sociais). Coordena e integra a Comissão o atual diretor do Instituto Dom Helder Camara (Idhec), Antônio Carlos Maranhão, que em sua juventude também fez parte da primeira comissão de Justiça e Paz, sob a supervisão do Irmão dos Pobres. O coordenador da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese assina a nota oficial que segue abaixo:

“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão, a coragem, a mudá-las”. (Santo Agostinho) Estamos vivendo tempos sombrios. A justiça e a paz, que tem na justiça sua base verdadeira e duradoura, estão sendo diuturnamente atacadas. A escalada de destruição de direitos dos cidadãos , o incentivo, pela ação ou omissão, ao desmatamento da Amazônia, à invasão das terras indígenas, à entrega do nosso patrimônio mineral, são sinais diários de violência. Não bastassem esses sinais, vemos entre outros e sem reação, a valorização do crime pela não apuração das ações das milícias, o desinteresse em apurar e punir crimes políticos, e a tentativa de criminalização de organizações não governamentais. Mais ainda, o ódio, a ironia, o desprezo e o pejorativo sendo usados sem limites, como plataformas de comunicação. Nesta última semana, todas essas sombras que nos envergonham como nação civilizada, estiveram presentes na invasão da aldeia Waiãpi por garimpeiros e no irracional ataque à memória de Fernando Santa Cruz, feito pelo presidente Jair Bolsonaro. Neste último, é impossível não explicitar nossa indignação pela forma desleal, desumana e sem base na realidade, do pronunciamento do presidente. Sim, sem base na realidade, porque na mesma semana o Estado brasileiro declarou que Fernando Santa Cruz “faleceu em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.( Secretaria Nacional de Proteção Global, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos, em 24 de julho de 2019). No meio de tanta escuridão temos que ter forças para anunciar a esperança. Por isso a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife conclama a todos e todas a vivenciarem a esperança como definida por Santo Agostinho, mãe da indignação que nos impele a não aceitar as coisas como estão, e da coragem para mudá-las, usando todos os instrumentos democráticos para eliminar privilégios e garantir os direitos civis, sociais, econômicos e ambientais, que nos estão sendo usurpados, e que são indispensáveis para a construção de uma sociedade inclusiva e justa. “No meio da escuridão, em pleno voo cego, sem enxergar um palmo diante dos olhos, mesmo aí, mesmo assim, filhos da Redenção, cidadãos da Eternidade, temos que manter viva a esperança. Faz escuro, mas eu canto….”(Dom Helder Câmara)

Antônio Carlos Maranhão de Aguiar / Coordenador da CJP-AOR