"Não sou de me calar diante de absurdos" afirma Marília Arraes

Foto: Reprodução/Facebook
A deputada federal Marília Arraes (PT) utilizou suas redes sociais para publicar um texto que pontua diversos questionamentos sobre a colaboração do PT e a conveniência do PSB na política.

Confira na íntegra a postagem:

Como falei recentemente no encontro de assinantes do Brasil 247, um dos grandes entraves na luta da esquerda é haver sabotadores entre nós. O PSB, depois de guinar à direita, apoiar Aécio Neves em 2014, votar pelo impeachment de Dilma, fazer campanhas em 2016 colocando no PT a culpa de todas as mazelas possíveis, de não dar nenhuma declaração contundente contra a prisão do presidente Lula (nem participar de nenhum ato por Lula livre, diga-se de passagem), viu a força do lulo-petismo em Pernambuco, combinada com uma candidatura competitiva do PT, nas últimas eleições, e resolveu guinar novamente à esquerda, só pra manter seu projeto de poder. Assim, como se aquele marido que apronta todas, posta fotos com outras, passa um tempo fora de casa, voltasse pra casa chamando a mulher de “meu amor”, como se nada tivesse acontecido.

Nesse contexto, Bolsonaro se elege - vale lembrar também que, no segundo turno, campanha de Haddad, em Pernambuco, hora nenhuma vimos aqueles exércitos de cargos comissionados, como no primeiro turno, fazendo campanha, nenhum esforço por esse projeto de país, num momento tão decisivo. Após a eleição, inicia-se mais um passo do script do golpe (agora legitimado pelas urnas): a reforma da previdência. PSB se posiciona contra, fecha questão e diz que quem a descumprir, será expulso. Quase um terço dos seus federais desconsidera a posição do partido e vota favorável à reforma. O comando nacional (cuja hegemonia é do núcleo pernambucano) se apressa a dar declarações bastante sentidas e iniciar o processo de expulsão desses parlamentares.

Contudo, o mais estranho foi, desde o início, a aparência de que não haviam calculado que esses deputados, na verdade, adorariam uma carta de alforria do PSB. Um deles que pode ser candidato a prefeito do Recife. Integrante da monarquia pernambucana, praticamente um duque rebaixado a conde, que já figurou como sucessor para a PCR nos planos reais, mas já descartado pelo comando. Aliás, em nada este deputado foi incoerente com suas posturas, pois quando disputou a primeira eleição, o PSB estava naquela vibe de centro-direita e, em 2018, ele até chegou a publicar que não apoiaria nenhum candidato do PT.

Agora, depois do rebu pronto, aparecem tantos defensores desse rapaz, argumentando contra sua expulsão, que é de impressionar. Como quem manda no PSB nacional é o núcleo pernambucano (uso essa expressão pra não fulanizar), vai tomar as decisões nacionais de acordo com a conveniência do seu próprio projeto de poder aqui no Estado.

Por mais quantas eleições vai dar certo essa tática do PSB, de ter gestões desastrosas e, com medo das urnas, tentar resolver a partida antes do jogo começar, retirando adversários de campo, pra ganhar de WO? Até quando farão esse discurso pífio, tentando justificar seu pragmatismo com posições ideológicas falhas? Poderia perguntar, ainda, até quando terão a cara de pau de colocar a imagem de Arraes nessa lambança toda que fazem.

Agora, a pergunta que interessa diretamente a nós, petistas: até quando o PT vai abdicar de uma chance real de projeto próprio em Pernambuco, na capital e em vários municípios, pra se transformar em linha auxiliar do PSB, nas suas gestões anti-povo? Por que o PT aceita ser o principal partido a colaborar com essa tática covarde do PSB, se nos prejudica tanto, quando poderíamos estar crescendo enquanto partido de massas no Estado? E, ainda pior, numa aliança, alijados do núcleo de decisão e cada vez mais próximos da fisiologia?

É, companheir@s, na política e na vida, não sou de me calar diante de absurdos. E, se você pensa parecido, estamos juntos.

P.S.: usei o verbo na primeira pessoa do plural por se tratar do partido, mas EU JAMAIS aderi a esta aliança.