"A estreia da comoção como cabo eleitoral", diz Zé Gomes

O cortejo fúnebre seguiu para o Palácio Campo das Princesas, onde ocorreu o velório das vítimas 
Milhares de pessoas compareceram ao local para prestar homenagens
Foto: Fernando Frazão - Agência Brasil

Por Zé Gomes*

Nós, do PSOL, não tentamos ganhar votos aproveitando o estado  emotivo dos eleitores. Queremos discutir os problemas concretos da população pernambucana e denunciar as distorções do processo eleitoral, como a farra de doações milionárias de empresas às candidaturas que as representam. É isso que temos apresentado na TV em nosso guia. E assim seguiremos, com coragem e ousadia de construir um Governo Popular com profunda e efetiva participação do povo e controle social sobre a gestão do Estado.  Hoje completamos uma semana de exibição do horário eleitoral gratuito. Para as candidaturas ao governo de Pernambuco, tivemos três programas e, em parte, nenhuma surpresa. Paulo Câmara e Armando Monteiro usaram o tempo de TV como seu projeto político comum sempre fez, fazendo produção hollywoodiana e milionária. Marketing puro, para esconder o debate politico e prioridades atrás de obras de ficção. Mas a tragédia que tirou sete vidas, entre elas a do ex-governador Eduardo Campos, infelizmente, inaugurou um novo método de se tentar ganhar votos em Pernambuco. O PSOL-PE manteve, desde a confirmação das mortes, uma postura de pesar e respeito às famílias das vítimas. Respeitamos o luto, suspendendo nossa campanha. Entretanto, diante do que temos visto nas ruas, nos guias de rádio e TV, consideramos que deveríamos fazer algumas ressalvas, no campo da política. A estratégia de Paulo Câmara vem buscando elegê-lo por “ato falho”, isto é, fazendo o eleitor acreditar que está votando não nele, mas em Eduardo Campos.  Esconder qual o projeto politico, prioridades e soluções concretas defendidas para os problemas dos pernambucanos atrás de peças publicitárias emotivas e despolitizadas e de choro forçado, é algo lamentável.  Armando Monteiro tem agido com mais cautela. Mas não se furta a usar a imagem de Campos em seu guia eleitoral, algo que certamente o próprio ex-governador desaprovaria.  Esperamos que, em vez disso, use o espaço para justificar à população seus projetos no Senado, como os que aumentam penas para menores infratores, criminalizam  como “vandalismo” mobilizações populares e militarizam as guardas municipais. E explique seus posicionamentos em defesa da flexibilização das leis trabalhistas, do fim da gratuidade universal nas universidades públicas e do projeto Novo Recife para o cais José Estelita.  Seu histórico no parlamento não pode ser ocultado da população, pois evidenciá o que esperar de suas ações como gestor.

*Candidato a Governador do PSOL pela coligação Mobilização por Poder Popular