Vereadores defendem anulação de eleição do Conselho Tutelar do Recife


Os flagrantes de irregularidades que ocorreram em todo o processo de escolha dos conselheiros tutelares do Recife serão denunciadas à Justiça pela vereadora Marília Arraes. Em reunião pública presidida pela vereadora, na manhã desta sexta-feira 16, no Plenarinho da Câmara Municipal do Recife, dezenas de novos indícios de fraudes foram denunciados por candidatos derrotados e por atuais conselheiros no pleito do último dia 4. O áudio e o vídeo da reunião foram solicitados por Marília e serão anexados como prova para apresentação aos órgãos responsáveis, em um pedido de nulidade da eleição.

Na segunda-feira 19, a vereadora vai propor a formação de uma comissão da Câmara Municipal para acompanhar de perto todo o processo. “Nós defendemos que essa eleição seja refeita. Esse argumento de que menos de 50% das urnas foram impugnadas não é valido porque há vícios - como as listas de eleitores com apenas o nome e sem número de documento algum - que podem invalidar toda a eleição”, reforçou Marília. Além da vereadora e de representantes dos candidatos, estavam presentes à mesa o secretário-executivo de Direitos Humanos, Paulo Moraes, e o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança de do Adolescente (Comdica), José Rufino, alvos de muitas críticas.

Os relatos foram inúmeros: da já conhecida história da urna que desapareceu e que apareceu 10 dias depois, em uma escola, à presença de cargos comissionados da Prefeitura do Recife como mesários, além de compra de votos, transporte de eleitores e dificuldades de acesso para pessoas com deficiência. “A responsabilidade dessa balbúrdia é da PCR, do prefeito Geraldo Julio. Se ele não sabe do que ocorreu, é ainda pior porque está sendo omisso."

AGRESSÃO - A reunião foi tumultuada e foi necessária a presença da Guarda Municipal para conter os ânimos. Marília foi insultada por candidatos eleitos e recebeu o desagravo dos colegas Jurandir Liberal e Isabella de Roldão, que também acompanharam o encontro. O conselheiro eleito Jermeson Carlos da Silva tentou agredir uma pessoa da plateia e foi contido por colegas. Perto do fim da sessão, agrediu verbalmente a vereadora Marília Arraes e deixou a mesa que conduzia os trabalhos. “O poder público não pode funcionar dessa maneira. Os representantes da gestão que aqui estiveram reconheceram as inúmeras irregularidades. Infelizmente, esta gestão dá desculpa em cima de desculpa. É inadmissível”, considerou Marília.

Com informações da Ascom / Foto: Wilfred Gadêlha