O Samba de Jackson do Pandeiro no coração do arrastapé

Foto: Reprodução/Facebook

Palco Frei Caneca, em celebração a um ano de atividades da emissora, presta tributo ao centenário do Rei do Ritmo com espetáculo dedicado ao mais brasileiro dos gêneros. Desafio conta com nomes como Lucinha Guerra, Elias Paulino e Rafa Almeida.

Paraibano de Alagoa Grande, Jackson do Pandeiro teve a estreia de sua bem sucedida carreira profissional no Recife, justamente em uma emissora de rádio. No caso a então recém-fundada Rádio Jornal. Mais conhecido por suas vertentes de coco e forró, a obra de samba de Jackson ainda é pouco visitada, mas foi dele a responsabilidade de introduzir a sanfona no samba. No dia 29, essa nuance menos explorada do Rei do Ritmo será a estrela do show “É samba que eles querem’, que abrirá os espetáculos de celebração de um ano de atividades da Frei Caneca FM, na Praça do Arsenal, a partir das 19h.

No espetáculo, um time de bambas do ritmo irá se reunir para reproduzir 13 canções do mestre como ‘A ordem é samba’, ‘Chiclete com banana’ e ‘Samba do Ziriguidum’, entre outras. O show também celebra a faixa de samba da rádio, que vai ao ar aos domingos de 10h às 12h no programa ‘Batucada’ e que sempre traz luz ao cenário da produção local da mais brasileira e democrática das sonoridades.

Para conduzir o espetáculo, o produtor Roberto Sidando chamou o maestro Deneil Laranjeira para fazer os arranjos e direção musical e arregimentou um time de cantores e músicos com afinidades, seja com a obra do paraibano ilustre, seja com o universo do samba. Assim, o esquadrão reúne talentos de múltiplas gerações. Desde o sanfoneiro Nido (72), que já tocou ao lado de mestres como Dominguinhos, ao percussionista Raoni Borges (23), que acompanha Gerlane Lops.

Além deles, o desafio de revisitar a obra dos sambas de Jackson contará ainda com o cavaco de mestre Elias Paulino (Grupo Terra) e a percussão envenenada de Rafa Almeida (Cordel do Fogo Encantado). Nos vocais, Lucinha Guerra traz sua experiência de já ter revistado a obra do mestre em um tributo prévio e a ela se unirá Nanau Nascimento, cantora popular, que foi revelada no Projeto Rádio Jornal ainda na década de 1990.

Para coroar o trio de vozes o show trará Jamelão do Cavaco, artista que possui mais de um quarto de século dedicado ao samba, vocalista do Sambstar e puxador de samba enredo da Gigante do Samba. Na base estarão ainda o violão de 7 cordas de Cláudio Nascimento, Paulo Nascimento no Sax soprano e flauta e as percussões de Amendoim e Diogo Henrique.

Pioneiro no que seria o fusion e antecipando a tendência de mesclar ritmos que fariam de Pernambuco destaque no manguebeat décadas depois, os sambas de Jackson trazem identidade própria. “Se alguém classificar alguns dos sambas de Jackson como coco ou forró não vai estar de todo errado. O coco é uma marca que Jackson traz desde a infância e em uma de suas últimas entrevistas ele chegou à conclusão que tudo era coco pra ele”, revela Deneil Laranjeira, cujo mestrado versa sobre a obra de Jackson e de Gonzaga.

No total, o espetáculo deve alcançar uma hora na qual o trio Lucinha, Nanau e Jamelão prometem colocar todo mundo pra dançar. Não pra menos. “A música de Jackson é Dionisíaca, o foco da música dele certamente é a alegria”, arremata Deneil. O repertório conta ainda com canções como ‘Vou gargalhar’, ‘Meu Enxoval’, ‘Secretária do Diabo’ e ‘Pai Orixá’, entre outras.

Show : É Samba que eles querem.
Data : 29/06/2019.
Local : Praça do Arsenal da Marinha.
Hora : 19h