ONGs estão de luto pelo assassinato do professor Sandro e exigem investigação imediata


Entidades do campo e da cidade emitiram uma nota através da Abong (Associação Brasileira de ONGs) afirmando que a possível motivação da morte do professor Sandro Cipriano, conhecido popularmente por Sandro do Serta, foi "ódio e homofobia". No documento, as ONGs pedem a investigação imediata do assassinado do educador e pedagogo. Outras organizações compartilharam a nota nas redes sociais.

>>Aplausos e pedidos de justiça marcam enterro de professor e militante da causa LGBT, em Pombos<<

Sandro Cipriano foi encontrado morto na manhã deste sábado (29) na zona rural de Pombos, município de Pernambuco. Sandro do Serta, era um ativista LGBT e militante das causas sociais e estava desaparecido desde a última quinta-feira (27). O corpo do educador foi encontrado um dia depois das comemorações ao Dia Internacional do Orgulho LGBT.

CONFIRA À NOTA:

A ABONG de LUTO

As organizações do campo e da cidade perdem mais um companheiro para o ódio e a violência homofóbica. Exigimos justiça!

Nesta manhã de sábado, fomos surpreendidos/as com a triste notícia do assassinato do companheiro *Sandro Cipriano* – ou Sandro do Serta, como era carinhosamente conhecido em Pombos, sua cidade natal, e em Pernambuco.

Quem matou Sandro Cipriano?

O Serta – Serviço de Tecnologia Alternativa – é uma organização da sociedade civil que forma jovens, educadores/as e produtores/as familiares para atuarem na transformação das circunstâncias econômicas, sociais, ambientais, culturais e políticas, e na promoção do desenvolvimento sustentável, com foco no campo. Foi no Serta que Sandro passou de educando a educador.

Além de professor, Sandro era coordenador estadual e membro do conselho diretor nacional da Abong – Associação Brasileira de ONGs, membro do Grupo Sete Cores de Pombos, ex-conselheiro nacional da juventude (Conjuve), ex-conselheiro estadual de políticas públicas de juventude em Pernambuco e, há mais de uma década, um guerreiro incansável pela efetivação dos direitos das juventudes, em especial da Bacia do Goitá e do Sertão de Moxotó.

Sua morte, motivada por ódio e homofobia, é o retrato do Brasil que exclui, estigmatiza e assassina pessoas que defendem direitos e LGBTs. A violência é um fator histórico que sempre atentou contra a vida daqueles/as que defendem os direitos fundamentais. Lembremos Martin Luther King, Dorothy Stang, Manoel Mattos, Margarida Alves e a própria Marielle Franco, dentre outros ativistas que foram assassinados em decorrência de seu exercício político.

Só nos primeiros cinco meses deste ano, o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que o Brasil registrou 141 mortes de pessoas LGBT. Segundo a entidade, foram 126 homicídios e 15 suicídios, o que representa a média de uma morte a cada 23 horas.

Esse é um momento de muita tristeza e indignação e nada trará nosso companheiro de volta, mas exigimos das autoridades pernambucanas o rigor necessário para a apuração deste crime. Perde sua família e seus amigos/as mais próximos, mas perdemos todos/as nós e a própria democracia brasileira.

Seu assassinato interrompe uma vida de sonhos e luta por justiça social. Toda nossa solidariedade à família e o desejo que sejam confortados/as em sua dor.

Sandro, presente! Hoje e sempre!

Abong - Associação Brasileira de ONGs

Brasil, 29 de junho de 2019