Projeto Convergir dá nova visão e fortalece mulheres da agricultura familiar


“Com o Projeto Convergir Mulher aprendi muito sobre os direitos, aprendi que nós somos livres, não somos escravas e também que nós somos donas do nosso corpo e podemos fazer dele o que a gente bem entender... Que ninguém comprou nós, ninguém tem nossa carta de que é nosso dono. Esse projeto Convergir foi tudo de bom na minha comunidade, pra nosso grupo de mulheres porque nos deixou bem mais fortalecidas.”, disse a agricultora Vanusa Gomes Barbosa, que participou do projeto em Bom Jardim –PE.

O Projeto Convergir Mulher é uma ação que visa o fortalecimento da inclusão das mulheres nos espaços de discussão e prioridades de políticas do trabalho no âmbito rural. De agosto a outubro de 2019 a Secretaria da Mulher de Pernambuco (SecMulher-Pe) realizou as atividades com as mulheres em parceria com o Instituto Ecos do Mundo e com os Organismos Municipais de Políticas Públicas para as Mulheres de Bom Conselho, Águas Belas e Bom Jardim. Foram contempladas com cursos 54 agricultoras familiares e, com recreação, 23 crianças, filhas e filhos das trabalhadoras rurais. O ciclo de Formação Sociopolítica e de Formação em Produção Agroecológica foi concluído na semana de 01 a 03 de outubro.

A SecMulher-PE tem por finalidade formular, coordenar, desenvolver e monitorar políticas públicas para promover os direitos, o empoderamento e a melhoria das condições de vida das mulheres pernambucanas. Nesse contexto, a oferta de atividades formativas e o processo de articulação e mobilização foram determinantes para que as turmas contemplassem representantes de etnias indígenas e de comunidades quilombolas, favorecendo a partilha dos conhecimentos nos seus territórios.

A primeira etapa do Projeto teve como finalidade contribuir com a promoção da igualdade de gênero, com recorte nas temáticas de raça, etnia e classe. Outras temáticas, como: o Corpo como território do SER e de direito; feminismo; a luta da mulher no enfrentamento da violência doméstica e sexista; divisão sexual do trabalho; valor e uso do tempo feminino e a organização das mulheres abordada também nos quatro encontros iniciais.

A segunda etapa foi realizada com formação em produção de base agroecológica. Foram 36 horas/aulas com discussões sobre temas relacionados aos princípios agroecológicos; uso sustentável do solo; sistemas agroalimentares; agricultura familiar e campesina x agronegócio; feminismo e agroecologia; sistemas produtivos das mulheres e autonomia econômica; quintais produtivos; soberania e segurança alimentar; o papel das mulheres na preservação da sociobiodiversidade; tecnologia social de acesso à água para produção e produção orgânica individual e coletiva.

As crianças também foram contempladas com atividades lúdico-pedagógicas para trabalhar as temáticas de gênero, raça, etnia, respeito às diferenças, violência contra as crianças, cuidado com o meio ambiente, agricultura familiar e agroecológica. O projeto proporcionou integração, encontro de gerações, troca de saberes, roda de conversas, depoimentos, exposição dialogada, visitas em propriedades com produção agroecológica e oficinas de produção de comidas com reaproveitamento de alimentos.